17 de abril de 2011

Projeto Driver(Less) is More



Desde que comecei a ouvir falar de mobilidade e alternativas aos carros no trânsito, me pego meio desiludido com o futuro próximo. Se por um lado transportes públicos, bondes e bicicletas pareciam soluções perfeitas, por outro eram simplesmente utópicas, por existir hoje uma cultura muito forte enraizada em torno dos carros.

Em paralelo a isto, mesmo antes de começar a dirigir, sempre tive uma idéia muito clara na minha mente: Humanos não deveriam poder dirigir. Isto é função para computadores! Gente dirigindo carros em uma cidade é simplesmente errado, e as estatísticas de acidentes no trânsito tão aí pra provar isso. Isto é forçosamente uma mera fase de transição (de mais de um século, infelizmente) enquanto os computadores não são capazes desta função com segurança.

Eis que em um post sobre os tais carros no PdH, surge um comentário com um link para o projeto Driver (Less) is More para o concurso AUDI Urban Future Award. Qual não foi minha alegria quando vi meu pensamento ecoado em uma palestra de Eric Shmidt, CEO do divino Google:
"Não consigo entender como é sequer permitido que pessoas dirijam carros..."
"O fato de carros terem sido inventados antes dos computadores é um bug!"
De fato, não tinha ligado ainda as peças e visto o carro como uma peça que ainda pode evoluir muito, bastando para isto compreender a mudança de paradigma que é remover o elemento humano do controle. Consegui enfim vislumbrar uma ponte entre o caos carrocêntrico atual e a utopia - agora ainda mais bela do que eu imaginava.


Enfim, recomendo enormemente que vejam site do projeto. Segue apenas uma figura teaser da apresentação, em formato de história em quadrinhos, muito didática, fluida, bonita e com conceitos espetaculares para o futuro.

Driver(Less) is More, via comentário no PdH

Simplesmente sensacional. Mal posso esperar pelo que o futuro promete =)

12 de fevereiro de 2011

Totó - Vida Das Coisas



Há algum tempo uma amiga que partilha comigo as mesmas afinidades com o tosco me passou uma música "imperdível" pelo MSN. O nome do artista: Totó. Já gostei.

Ao começar a música. logo se percebe um sotaque muito exótico da língua portuguesa. Backvocals, gírias estranhas, um violão virtuosíssimo, uma melodia melancólica e então... a frase de impacto acapella:
"Abre a porta, Tânia"

Meus neurônios fritaram na hora, da maneira que só as mais refinadas tosquices conseguem fritar. Daí pra frente era só alegria. O contraste da qualidade musical impecável com a letra estranha de sotaque esquisito, que parece feita pra você rir de confusão, me tornou um fã imediato daquela tosqueira absolutamente original.

Ouça "Abre a Porta, Tânia!" no Youtube

Passei algum tempo tentando encontrar mais informações sobre o cantor, ou pelo menos sobre o CD dele, mas não encontrava nada. Vários anos depois, eis que descubro a capa e o nome do álbum: Vida das Coisas. Achei.

Comecei empolgadamente a escrever este texto antes mesmo de terminar o download e, ao ouvir "Fim-de-semana", primeira música do CD, nenhuma decepção. Anos depois de ouvir "Abre a Porta Tânia", eu fritei seguramente de novo com o estilo do cara. Ele tem o poder de queimar meus neurônios.

As músicas foram passando, fui lendo o que consegui achar a respeito delas e 53 minutos depois senti que a melhor parte de baixar o álbum todo foi entender um pouco mais do estilo do cara. Continua sendo inevitável para um bom brasileiro achar que o cara tá de sacanagem cantando aquilo, mas depois de ter um mínimo contato de uma hora com o conteúdo dele, estou convencido de que é um estilo próprio. Mais do que isto: é extremamente original, que conserva características da cultura africana (ouvi falar que tem algo relacionado também ao Kuduro) ao redor de Totó.

Nas palavras de uma fã: É African music, Soul/Jazz de Angola

Por fim, meus parabéns ao Totó. O som do cara realmente é algo completamente novo pra mim, e executado com maestria. Por mais que eu continue com a dúvida constante de se ele escreveu aquilo por comédia, ou se ele realmente tinha a intenção de causar drama com as histórias. Tenho de admitir que a aura de mistério que a falta de informação sobre o trabalho dele no Google causa também é um ponto positivo.

Fica a recomendação de música tosca-ou-apenas-incompreendida de alta qualidade, para quem quiser se aventurar em estilos completamente aleatórios.

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Links relacionados

Resenha (esclarecedora) sobre o álbum e Totó
Youtube - Totó ao vivo no festival de Jazz de Luanda


Link para download do álbum no MediaFire
Listagem das músicas e link para download do álbum

19 de dezembro de 2010

Por que comprar o Humble Indie Bundle


Ok, já é a terceira vez que eu posto algo sobre este tal Humble Indie Bundle. Vocês devem estar se perguntando: porque? Vou falar brevemente do que é o Bundle e quais são meus dois motivos pra fazer esta propaganda:

O que é o Humble Indie Bundle?
É uma promoção por cinco dias, na qual um pacote de jogos indies fica à venda sem preço definido. Cada cliente vai lá, define quanto quer pagar pelos jogos e qual porcentagem deste pagamento quer dedicar à instituições de caridade. O preço mínimo é um centavo de dólar. Dito isto, meus motivos para fazer essa propaganda toda:

Motivo 1. Eu adoro joguinhos ^^
Cena de Braid
Os jogos que se colocam com o rótulo de "Indie" realmente têm algo de diferente: um foco no lado artístico da coisa. O Braid, por exemplo, é praticamente um quadro de tinta à óleo em movimento, acompanhado de uma trilha sonora orquestral, um enredo poético e uma referência constante a Super Mario. Belíssimo. ( recomendo assistirem o trailer no site oficial do jogo ). Osmos é uma terapia de relaxamento e, para os geeks de plantão, um playground de cálculos balísticos de uma maneira muito intuitiva e gostosa de interagir. Os outros três eu nem conheço, mas a tirar pela fama e histórico do Bundle, com certeza não são de se jogar fora. =)

Motivo 2. O modelo de negócio que está sendo proposto
Eu acho muito legal (por vários motivos, assunto pra outro post) a idéia de "pague o quanto acha que vale", implementado pelo Radiohead há alguns anos, e sendo agora aplicada a videogames. Algumas pessoas acham isso uma coisa meio hippie, meio de adolescente, mas eu vejo um modelo futurista e muito inteligente de comércio nascendo nessas iniciativas.

Conceitos econômicos como oferta, procura e ganho marginal viram uma grande bagunça difícil de definir e, no fim das contas, clientes e desenvolvedores saem felizes. Felicíssimos, até: o primeiro Humble Indie Bundle vendeu $1.3 milhões e o segundo, faltando dois dias pra terminar, já bateu a marca de $1 milhão. Sinceramente,  eu acho que poucos desenvolvedores independentes de jogos almejariam uma marca de vendas dessas em uma semana.

O conceito que mais me cativa no final das contas é o de que qualquer quantia que você pagar já é lucro. Os caras têm noção de que os jogos deles nunca seriam assim tão famosos quanto um GTA, e que mesmo que fossem, a pirataria seria a maior forma de disseminação do jogo. Neste modelo de negócio, eles conseguem ganhar uma projeção enorme e envolver pessoas que iriam piratear e simplesmente não precisam porque podem comprar o jogo a US$0.01 .

Por fim, minha sincera recomendação: vão ao site do Bundle, assistam o trailer e vejam se chama a atenção de vocês. Qualquer $1 vai contribuir para fazer este projeto dar ainda mais certo e estimular o nascimento de mais e mais iniciativas semelhantes; o que, no meu ver, representa mais um ponto positivo naquela máxima de "faça um mundo melhor", empurrando nossas noções de capitalismo para algo mais grandioso, humano e bonito de se viver ( depois vejo se falo mais sobre isso ).

Se gostarem muito e decidirem pagar mais, podem pegar uma licensa de presente para alguém ou simplesmente aumentar a quantia que pagaram originalmente - tudo usando a interface do próprio site.

P.s.: mais um terceiro ponto legal é que os caras oferecem suporte atencioso online e via e-mail. Pude testar e comprovar, eles realmente estão se dedicando a isto, e é mto bom ser bem atendido =)

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Links relacionados:
Site oficial do Humble Indie Bundle
Twitter do Humble Indie Bundle
Humble Indie Bundle na Wikipedia

2 de novembro de 2010

A Alegria


O escritor Guimarães Rosa dá uma grande lição num pequeno texto sobre impermanência e relacionamentos.

"Deus nos dá pessoas e coisas,
para aprendermos a alegria...
Depois, retoma coisas e pessoas
para ver se já somos capazes da alegria
sozinhos...
Essa... a alegria que ele quer"

Encontrado num comentário sobre um texto fantástico do Papo de Homem

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Foto de uma mandala de areia, símbolo da impermanência, por Wonderlane

27 de outubro de 2010

Esquadrilha da Fumaça

Nota breve: Apresentação da Esquadrilha da Fumaça este sábado (30/Out/2010) no Farol da Barra, às 16h.

Assistir a Esquadrilha em uma demonstração é sempre emocionante pra mim. Não é só o visual que conta, é a quantidade de coisas que rolam por trás da apresentação que faz ela ficar ainda mais fantástica.

Desde pequeno, sempre gostei de aviões. Acho que a própria idéia de voar já é muito cativante; somando a isso o formato [da maioria] deles: cumpridos, esbeltos e com focinho (you had it coming...), são máquinas lindas. Por trás da aparência, a complexidade de se construir os motores, de unir a fuselagem com as asas, a elegância do formato delas... Enfim, eu me sinto às vezes como o aviador, interpretado por DiCaprio, capaz de contemplar um avião com um brilho nos olhos enquanto a mente vagueia em elogios.

Um avião sorrindo. Eles não são tão simpáticos? ^^ (via)

Outro ponto muito bom da Esquadrilha é a coreografia. Admiro muito uma boa dança, e é admirável eles conseguirem se mover, flexionar, interagir e até fazer uma "linguagem corporal" com uma máquina que não tem nada a ver com o corpo humano. À 300km/h. Voando. De cabeça pra baixo. A poucos metros de mais 6 outros fazendo a mesma coisa.

Quando junta, enfim, um time de pilotos brasileiros da elite da aeronáutica, aviões brasileiros, e a arte da dança em asas, com direito à vôos rasantes poucos metros acima de mim - daqueles que fazem tremer o chão com o barulho do motor... Putz.

Não dá pra explicar. Só presenciando. Vão ;)

P.s.: Caso você esteja lendo este post depois da apresentação, olhe a agenda dos caras. Eles vivem se apresentando, e é sempre um espetáculo.

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Links relacionados:
Site oficial da Esquadrilha da Fumaça
"O show tem que continuar" - artigo que mostra o espírito da Esquadrilha. Orgulho =)

21 de outubro de 2010

Madrigal

(de Manuel Bandeira)


A luz do sol bate na lua
Bate na lua, cai no mar
Do mar ascende à face tua
Vem reluzir em teu olhar

E olhas nos olhos solitários
Nos olhos que são teus… É assim
Que eu sinto em êxtases lunários
A luz do sol cantar em mim…

Lembro como achei linda esta poesia ( e música ) quando a ouvi nas vozes da Companhia de Canto da Bahia, em 2001.[citation needed]

Saudades daquele grupo =)

16 de outubro de 2010

Papo de Homem


Um grupo de amigos - cada um com uma cabeça e uma visão de mundo distinta - cheios de histórias pra contar, idéias pra trocar e um desejo: fazer a diferença na vida de outros caras.

Talvez não com essas palavras, mas foi com essa idéia que o site Papo de Homem se concretizou na minha mente. Para falar sobre este site fantástico, eu antes vou fazer uma digressão (meio new age, como sempre) sobre porquê eu fui parar nele:

Há algum tempo eu li o livro "A Profecia Celestina". Me chamou bastante a atenção um trecho específico do livro, o que explica a "quarta profecia" sobre a guerra dos homens por energia, ou, neste contexto, a guerra dos homens pela manutenção do próprio ego. No livro isto é exemplificado por uma relação típica entre namorados que lutam constantemente pelo poder na relação - e acabam transformando boa parte do que poderia ser proveitoso na relação em meros jogos de poder.

Isso soou familiar com o que sempre ouvi na rua ( felizmente nunca em casa ) sobre o 'importante' para atrair o sexo oposto: "é não ligar", ou "ser escroto", "pisar em cima mesmo, que elas gostam"... essas coisas. Sempre achei tudo isso muito tosco e foi legal encontrar explicações sensatas sobre o porque isto acontece.

Algum tempo depois, nessas aleatoriedades da net, acabei descobrindo o site Não2Não1, que foca especialmente em relacionamentos lúcidos. Com um toque de espiritualidade + pé no chão, discurso consistente, claro, objetivo e com exemplos mais palpáveis, o autor Gustavo Gitti dá verdadeiras aulas a cada post e me tornou um leitor cativo do blog. Não demorou muito até eu conhecer um outro projeto que ele trabalha: o tal Papo de Homem.

O que mais me cativou no PdH, no fim das contas, foi a forma como não há uma única linha de pensamento no site. Os artigos são enviados por dezenas de autores, cada um com uma forma de pensar, estilos diferentes. Arriscaria dizer que a única coisa que eles têm em comum é a sensação de que a experiência deles pode contribuir na formação de novos homens - e o desejo de compartilhar esta experiência.

Usando as palavras deles:
Falamos de cerveja, brochada, gravatas, whiskey, piercing, videogames, colesterol, liderança, truco, guitarras, orgasmo, caipirinha, carros antigos, arroz, dança de salão, café e meditação.
Em vez de seguir tendências e passar informações, nosso foco está em formação de cultura. Intervirmos presencialmente antes de escrever, testamos e experimentamos antes de divulgar, escrevemos para desafiar e provocar ações, não só discussões. Somos agentes sociais e queremos movimentar e chacoalhar qualquer um que chegar perto.
Por fim, coloco abaixo alguns dos artigos que gostei para quem ficar curioso de conhecer o site. Claro que os que escolhi ficam restritos aos assuntos que eu mais me interesso. Mas como eu disse: tem pra todo gosto por lá.
Orgasmo: a coisa mais brochante do mundo
Meia nove: 6 homens e 9 mulheres falam sobre sexo
Um experimento de percepção para explodir sua cabeça
Uma consciência canalha
Legalizar a prostituição traria algum benefício? - um dos vários artigos num debate massa sobre prostituição

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Links relacionados:
Papo de Homem Lifestyle Magazine
Não2Não1 - Um blog sobre relacionamentos lúcidos